Ao longo da primeira década do século XX Joaquim Manuel e Luciana vêm a sua família crescer com o nascimento de mais quatro filhos, Fernanda em 1901, Susana em 1903, Manuel em 1905 e Amélia em 1907. No mesmo período o bisavô Joaquim adquire uma notoriedade pública crescente como membro destacado da comunidade portuguesa e do meio empresarial carioca. Em 1905 é nomeado presidente da prestigiada ASSOCIAÇÃO DOS EMPREGADOS NO COMÉRCIO DO RIO DE JANEIRO. Em 1907 foi agraciado por D. Manuel II, rei de Portugal, com a Comenda da Ordem Militar de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa e em 1909 com o Foro de Fidalgo Cavaleiro da Casa Real
Joaquim Manuel teve também um papel importante na génese, em 1911, da CÂMARA PORTUGUEZA DE COMÉRCIO, no Rio de Janeiro, da qual fez parte integrante, desde a sua criação.
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Nota publicada no jornal O PAIZ de 16.04.1911, dando conta da criação da CAMARA PORTUGUEZA DE COMMERCIO |
Foi presidente do RETIRO LITERÁRIO PORTUGUÊS, associação cultural fundada em 1855 por elementos da comunidade portuguesa no Rio de Janeiro com o objetivo de divulgar a cultura portuguesa. Na primeira década do século XX o Retiro Literário Português foi responsável pela organização de importantes eventos públicos, com sessões solenes e celebrações, que marcaram a vida cultural carioca. Em 1910, sob a presidência de Joaquim Manuel de Campos Amaral, o Retiro Literário Português, participou nas comemorações do 1º centenário do nascimento de Alexandre Herculano com uma sessão solene, que teve lugar no salão nobre do Real Gabinete Português de Leitura no Rio de Janeiro. O evento foi amplamente noticiado nos jornais do Rio de Janeiro. A sessão foi presidida pelo Conde de Selir, ministro de Portugal.
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Nota publicada na GAZETA DE NOTÍCIAS a 28.04.1910 anunciando a sessão solene comemorativa do 1º centenário do Nascimento de Alexandre Herculano. |
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Nota publicada no jornal A IMPRENSA a 29.04.1910, dando conta da sessão solene que teve lugar no dia 28 de abril. |

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Notícia publicada na revista de atualidades, O MALHO de 07.05.1910, dando conta da sessão solene comemorativa do 1º centenário do nascimento de Alexandre Herculano realizada a 28 de abril no salão do REAL GABINETE PORTUGUEZ DE LEITURA – (…) o comendador Campos Amaral, presidente do Retiro Literário Português, que abriu e encerrou a sessão, com frases eloquentíssimas de patriotismo e fidalga gentileza (...) Na foto de cima é possível identificar da esquerda para a direita: Cipriano Costa (presidente da Sociedade de Beneficência Portuguesa), conselheiro Costa Ferreira (comandante do cruzador D. Carlos),tenente Dodsworth (representante do presidente da república), conde de Selir (ministro de Portugal e presidente honorário da sessão) e visconde de Ouro Preto (estadista brasileiro), Comendador Campos Amaral (presidente da AECRJ, organizadora do evento) e conselheiro Barbosa dos Santos (presidente da Agência Financeira de Portugal). |
Mas o Bisavô Joaquim foi sobretudo um empresário de sucesso no Rio de Janeiro, tendo feito fortuna no final do século XIX. No livro Impressões do Brazil no Século Vinte de Reginald Lloyd (Edição de 1913 da Lloyd's Greater Britain Publishing Company, Ltd.) é nomeado como um dos um dos vinte e oito mais importantes comerciantes do Rio de Janeiro, juntamente com os seus dois sócios, o irmão João António de Campos Amaral e Fernando Pimentel de Mello, o que atesta a importância das duas casas comerciais de que era proprietário, a Amaral Guimarães & Cia e a Amaral Pimentel & Cia.
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| “Impressões do Brazil no Século Vinte” de Reginald Lloyd; livro publicado em 1913 pela Lloyd's Greater Britain Publishing Company, Ltd. com o objectivo de divulgar o Brasil como potência económica e industrial |
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Comerciantes ilustres do Rio de Janeiro 1) Comendador J. F. Guimarães; 2)Luiz Eduardo da Silva Araujo; 3) João António de Campos Amaral; 4) Comendador Joaquim Manuel de Campos Amaral; 5) Fernando Pimentel de Mello; 6) Francisco Portella; 7) Oscar Gustavo Vieira; 8) Alvaro Henrique de Mattos Vieira; 9) Americo Augusto Vieira; 10) Arnaldo Enrico Vieira; 11) José Joaquim Vieira; 12) Carlos Alberto Vieira; 13) O falecido Pedro de Siqueira Queiroz; 14) Antonio Ferreira Gonçalves Braga; 15) Achille Bove; 16) Alfredo de Carvalho; 17) Jacintho Pinto de Lima Junior; 18) J. Baptista de Vieira Machado; 19) José Alves Sardinha; 20) J. P. Souza; 21) Joaquim de Souza Mendes; 22) Luiz d'Almeida Rabello; 23) O falecido José Joaquim de Oliveira Barbosa; 24) Manoel Antunes de Meira; 25) Antonio dos Santos Vianna; 26) José Moreira Barbosa; 27) Fred. Figner; 28) José da Silva Simões
“Impressões do Brazil no Século Vinte” (página 603) de Reginald Lloyd Edição de 1913 da Lloyd's Greater Britain Publishing Company, Ltd |
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| Os irmãos Joaquim Manuel e João António de Campos Amaral |
Ainda na mesma publicação, a Amaral, Guimarães & Cia, é referida da seguinte forma:
“Amaral, Guimarães & Cia. - Foi esta casa fundada em 1890, pelos sócios Srs. Joaquim Manuel de Campos Amaral e António José de Mattos Guimarães, como solidários, com o capital de Rs. 25:000$000 cada um; e Joaquim Fernandes dos Santos Junior, como comanditário, com o capital de Rs. 50:000$000".
"Durante a vigência deste contrato, que terminou em 1903, teve a casa dois sócios de indústria que se retiraram nessa data, pagos e satisfeitos de seus haveres, e na mesma data foi reformado o contrato social e elevado o capital a Rs. 530:000$000. Foram então admitidos como interessados os Srs. João António de Campos Amaral e Fernando Pimentel de Mello".
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Fernando Pimentel de Mello, sócio dos irmãos Campos Amaral na firma "Amaral, Guimarães & Cia" |
"Em Setembro de 1905, faleceu o Sr. Antonio José de Mattos Guimarães. Embolsados os seus herdeiros com a quantia de Rs. 400:000$000, continuou a vigorar a firma Amaral Guimarães & Cia., por ter adoptado o sobrenome Guimarães o sócio Sr. Joaquim Manuel de Campos Amaral".
"Em Dezembro de 1905, retiraram-se da casa os dois interessados acima referidos, pagos e satisfeitos de seus haveres; reformou-se o contrato para vigorar até Dezembro de 1910; foi reposto o capital pago aos herdeiros do sócio falecido e passaram a interessados quatro dos empregados mais antigos da casa, os quais se retiraram também, pagos e satisfeitos, em 1910".
"Tendo saído da casa, em 1905, como dissemos acima, os dois interessados Srs. João António de Campos Amaral e Fernando Pimentel de Mello, estabeleceram estes uma casa do mesmo artigo à Rua Chile, 35 e 37, sob a razão social de Barbosa, Amaral & Pimentel, em Janeiro de 1906. Essa sociedade existiu até 1910, quando o sócio sr. Barbosa se retirou da firma, embolsado com Rs. 200:000$000".
"Nesse ano, foi resolvida a fusão das duas casas, ficando a girar sob duas firmas inteiramente distintas, a saber:
1. Amaral Guimarães & Cia., composta dos sócios solidários Srs. Joaquim Manuel de Campos Amaral Guimarães, João António de Campos Amaral, Fernando Pimentel de Mello e do comanditário Sr. Joaquim Fernandes dos Santos Junior, sendo o capital social de Rs. 600:000$000;
2. Amarais, Pimentel & Cia., composta dos sócios solidários Srs. Joaquim Manuel de Campos Amaral Guimarães, João António de Campos Amaral, Fernando Pimentel de Mello e do comanditário Sr. Joaquim Fernandes dos Santos Junior, sendo o capital social de Rs. 400:000$000".
"No período decorrido desde a fundação da casa até 1910, retirou o sócio Joaquim Manuel de Campos Amaral Guimarães, da sociedade, por conta dos seus lucros, o suficiente para adquirir alguns prédios no valor de Rs. 800:000$000, o que também se deu com o comanditário".
"Na vigência da nova sociedade sob a gerência dos sócios Srs. João Antonio de Campos Amaral e Fernando Pimentel de Mello, adquiriram estes para a sociedade o grande terreno e prédio em que funciona a fábrica, ficando o depósito geral e o material de transportes pela quantia de Rs. 150:000$000".
"A sede social compõe-se dos seguintes imóveis:
- Rua de S. José 77 e 79, escritório e exposição de ladrilhos, azulejos, metais e louças de barro refractário.
- Rua de S. José 72, secção de encaixotamento e exposição de banheiras e mais artigos de ferro esmaltado.
- Rua de S. José 74, exposição e depósito de louças sanitárias e azulejos.
- Rua de S. José 78, oficina e exposição de mármores, em grande escala.
- Rua do Riachuelo, 130, 132 e 134 depósito geral e fábrica, de propriedade da firma
- Rua do Chile 35 e 37, na Casa Amaraes, Pimentel & Cia. há uma grande exposição de todos os artigos acima mencionados".
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Casa Amaral Guimarães & Cia, instalações na Rua de S. José 77 e 79 ; “Impressões do Brazil no Século Vinte” (página 613) de Reginald Lloyd; Edição de 1913 da Lloyd's Greater Britain Publishing Company, Ltd
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| Aspecto do interior das casas comerciais do centro do Rio de Janeiro no início do século XX; loja aberta para a rua, de grande profundidade, com iluminação zenital por claraboia. Os pisos superiores do prédio eram frequentemente residenciais, por vezes com acesso directo a partir da loja. |
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| Área de exposição da Amaral, Guimarães & Cia na Rua de S. José |
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| Área de exposição da Amaral, Guimarães & Cia na Rua de S. José |
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| Rua do Riachuelo, 130, 132 e 134 depósito geral e fábrica - foto de 2013; cem anos depois ainda subsiste o prédio que albergou a fábrica e o depósito geral da firma "Amaral, Guimarães & Cia" |
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Detalhe da fachada - Rua do Riachuelo 130, 132 e 134, Rio de Janeiro (foto de 2013) os baixos relevos da fachada representam o Comércio, à esquerda, e a Indústria, à direita |
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José Paulo Amaral Rocha de Oliveira, bisneto de Joaquim Manuel de Campos Amaral, à porta do nº 130 da Rua do Riachuelo, no Rio de Janeiro em 2013 |
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Em 2013 havia um projecto de preservação do imóvel onde funcionou a fábrica e o depósito geral da Amaral, Guimarães & Cia |
"A produção anual da fábrica pode ser avaliada entre Rs. 200:000$000 e Rs. 250:000$000. Tanto a produção como o valor, variam de conformidade com os desenhos fabricados e que mais extração tenham tido durante o ano, visto haver destes uns mais fáceis que outros na fabricação e portanto mais caros ou mais baratos".
"As especialidades do comércio da empresa são: ladrilhos, azulejos, louça sanitária, banheiras de ferro esmaltado e mais artigos sanitários deste gênero, mármores de todas as cores e dimensões, em grosso e em obra, metais para empregos sanitários, aquecedores de água a gás e a álcool, gesso para estuque, cimento branco, preto, comum, amarelo presa rápida, cal hidráulica e do Reino (virgem em pedra), tijolos refratários e mais materiais de construção.”
“Impressões do Brazil no Século Vinte” (página 613) de Reginald Lloyd
Edição de 1913 da Lloyd's Greater Britain Publishing Company, Ltd
O ritmo de novas construções no Rio de Janeiro na viragem do século foi o verdadeiro motor do sucesso das firmas do bisavô Joaquim. As suas firmas forneciam materiais de construção para as principais obras da cidade. A renovação urbana levada a cabo no Rio de Janeiro sobretudo ao longo da primeira década do século XX, é indissociável do sucesso do bisavô Joaquim como empresário. Encontrámos referências á Amaral, Guimarães & Cia, no fornecimento de louças sanitárias para a casa de Rui Barbosa no Rio de Janeiro e de ladrilhos para o Palácio Amarelo em Petrópolis, entre outras.
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| Louças sanitárias da Amaral, Guimarães & Cia, na Casa Rui Barbosa no Rio de janeiro |
Os ladrilhos para o Palácio Amarelo em Petrópolis, construído entre 1894 e 1897, também foram fornecidos pela "Amaral, Guimarães & Cia", como consta em notícia da época
“...os belos ladrilhos que ornamentam o adro, o hall, o patamar da escada e os terraços são da firma Amaral Guimarães e Cia., do Rio de Janeiro, que propôs o preço de 7:250$000 para fornecimento e assentamento do material, inclusive maçame, rodapé, etc., com o qual concordou a Câmara em sessão de 12 de Março de 1896…”
Os mármores e azulejos para as obras de embelezamento levadas a cabo na Igreja de Nossa Senhora da Penha de França, no Rio de Janeiro entre 1900 e 1902, foram fornecidas pela "Amaral, Guimarães & Cia".
Desde o tempo do império que o higienismo como doutrina de orientação das tomadas de decisão no âmbito da saúde pública, vinham a tomar força no Brasil e em particular nas grandes cidades. Em 1864 é atribuído à The Rio de Janeiro City Improvements Company Limited, o monopólio da rede básica do esgoto. Por volta de 1890 mais de 60% dos prédios da cidade, inclusive os subúrbios próximos da central do Brasil, já estavam conectados à rede de esgoto. Contudo os serviços da City, deixavam muito a desejar, apresentando inúmeros problemas e sendo a companhia alvo de críticas constantes pelos higienistas e pela população.
Em 29 de dezembro de 1899, é revisto o contrato da City. Neste novo contrato a empresa assegurava a conclusão das obras dos distritos previstas no contrato de 1890 e a revisão da canalização dos distritos mais antigos, passando o sistema utilizado a ser o de separador absoluto, ou seja, constituído por dois sistemas independentes, um destinado ao escoamento sanitário e outro às águas pluviais. Em contrapartida a City recebia o monopólio de comercialização e instalação dos artigos sanitários. Tal fato gerou uma onda de protestos por parte dos comerciantes de materiais de construção, liderada pelas principais casas do Rio de Janeiro, a tal ponto de justificar uma audiência com o Presidente da República, o Dr. Campos Salles. Joaquim Manuel de Campos Amaral, como representante da Amaral, Guimarães & Cia integrou a comitiva que foi recebida pelo Presidente no dia 12 de janeiro de 1900, tal como foi noticiado no jornal GAZETA DE NOTÍCIAS, do Rio de Janeiro, no dia 13.
As firmas do bisavô Joaquim, no ramo dos materiais de construção, eram das mais prestigiadas do Rio de janeiro, como o atesta a participação das mesmas, na Exposição Nacional de 1908. Inaugurada solenemente a 11 de agosto de 1908, na Urca, no Rio de Janeiro, para comemorar o centenário da Abertura dos Portos às Nações Amigas em 1808 por D. João de Bragança, regente de Portugal.
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| Medalha comemorativa da Exposição Nacional de 1908, no Rio de Janeiro |
Constituiu um importante palco de promoção do Brasil através dos produtos industriais, agrícolas e artísticos cuidadosamente montados nos pavilhões construídos para o efeito como o Palácio da Indústria, o Palácio dos Estados, o Pavilhão do Distrito Federal e os pavilhões dos diversos Estados. Mostrou o esforço de modernização dos novos serviços públicos municipais e federais em pavilhões temáticos como o do Corpo de Bombeiros, o dos Telégrafos e Correios, o do Café e Cacau, entre outros.
Foi o grande evento final do programa de reforma urbana e sanitária que transformou o Rio de Janeiro na primeira década do século XX. Após o encerramento da Exposição, todos os prédios foram demolidos com exceção do Palácio dos Estados e do Pavilhão das Máquinas.
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Reportagem publicada a 8 de dezembro de 1908 na ILUSTRAÇÃO PORTUGUEZA, sobre a inauguração da Exposição Nacional. |
As firmas de Joaquim Manuel, a Amaral & Pimentel e a Amaral, Guimarães & Cia participaram na exposição de ladrilhos patente num dos salões do Pavilhão do Distrito Federal, de que fez eco o jornal carioca, O Século, de 15 de agosto de 1908, dia da inauguração das exposições nesse pavilhão.
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À esquerda, recorte do jornal O SÉCULO, de 15 de agosto de 1908 - À exposição de ladrilhos concorreram a companhia Edificadora, as casas Martins Amaral & Comp., Barbosa, Amaral & Pimentel, Amaral, Guimarães & Comp. e Attilio Capelli, com um bem feito trabalho de mosaico. Á direita, foto de A. Malta, do Pavilhão do Distrito Federal, onde teve lugar a exposição de ladrilhos.
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Da extensa lista de personalidades presentes na cerimónia de inauguração do Pavilhão Manuelino, constava o nome do Comendador Joaquim de Campos Amaral e família.
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Recorte do JORNAL DO BRASIL de 2 de agosto de 1908 noticiando a inauguração do pavilhão de Portugal na Exposição
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| Reportagem publicada a 8 de dezembro de 1908 na ILUSTRAÇÃO PORTUGUEZA, sobre a inauguração da Exposição Nacional. |
Em 1911, Joaquim Manuel com toda a sua família, regressou a Portugal, fixando residência em Lisboa, na Quinta das Palmeiras. Até à morte de Luciana em 1916, a sua vida foi um vaivém entre Lisboa e o Rio de Janeiro, pois nunca abandonou a sua atividade no Brasil.
Em 1913, foram dissolvidas, de comum acordo, as firmas Amaraes, Pimentel & Cia (estabelecida à rua do Riachuelo, 35) e Amaral, Guimarães & Cia (estabe-lecida à rua de S. José, 77). Os sócios João António de Campos Amaral e Joaquim Fernandes dos Santos Junior, venderam a sua parte, ficando Joaquim Manuel e Fernando Pimentel de Mello com o passivo e ativo social de ambas as firmas, criando de imediato novas firmas idênticas às extintas, continuando com o mesmo ramo de negócio de materiais de construção, azulejos, ladrilhos, louças e demais material sanitário e fabricação de ladrilhos hidráulicos. Mantiveram as lojas na rua de S. José 77 e na rua do Chile 35.
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Recorte do Diário Oficial de 19 de abril de 1913 com o anúncio da dissolução das firmas de Joaquim Manuel com seu irmão Joaquim António e da criação das novas firmas com Fernando Pimentel de Mello.
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Joaquim Manuel era um empreendedor e sabia aproveitar as oportunidades de negócio. No final do século XIX e na primeira década do século XX Joaquim Manuel deslocou-se por diversas vezes a Portugal. Os seus conhecimentos e contactos na área da construção civil, permitiram-lhe desenvolver outras áreas de negócio entre os dois lados do Atlântico, nomeadamente a importação para Portugal de madeiras exóticas do Brasil, para a construção civil.
A avó Nanda contava que, as madeiras brasileiras utilizadas na construção do palácio Sotto Mayor em Lisboa e do palácio da Regaleira em Sintra, foram importadas pela firma do bisavô Joaquim. Cândido Sotto Mayor (o primo Candoca como era conhecido pela família) assim como António Augusto Carvalho Monteiro (o Monteiro dos Milhões) eram amigos pessoais de Joaquim Manuel. Todos eles tinham feito fortuna com os negócios no Brasil.
Cândido Sotto Mayor regressou a Portugal na primeira década do século XX, tendo ficado a residir em Lisboa, onde adquiriu, nas avenidas novas o solar oitocentista da família Mayer, que depois mandou demolir, para em sua substituição construir uma moradia com todas as comodidades do “mundo moderno”, e de inspiração francesa, o palácio Sotto Mayor. As obras foram iniciadas em 1902, segundo projecto do Capitão de Engenharia do Exército, António Rodrigues Nogueira a partir de um esboço dos arquitectos Ezequiel Bandeira e Carlos Alberto Correia Monção. A construção foi concluída em 1906, tal como relata a Revista “ilustração Portugueza” da época. |
| O Palácio Sotto Mayor - "ILLUSTRAÇÃO PORTUGUEZA" - 1906 |
A relação com António Augusto Carvalho Monteiro, o “Monteiro dos milhões” remonta provavelmente à época em que o avô Joaquim foi para o Brasil havendo provavelmente laços familiares, uma vez que o pai do primeiro e a mãe do segundo eram naturais da mesma terra, Lagos da Beira, Concelho de Oliveira do Hospital.
António Augusto Carvalho Monteiro, adquiriu em 1892, aos Barões da Regaleira uma quinta em Sintra, por 25 contos de réis. A construção do palácio teve início em 1904 e estava concluída em 1910. |
| António Augusto Carvalho Monteiro |
O palácio segundo projecto do arquitecto italiano Luigi Manini, evoca a arquitectura românica , gótica, renascentista e Manuelina. Está inserido num parque de 4 hectares com jardins magníficos com múltiplas espécies exóticas. lagos e diversas construções enigmáticas, as quais contribuem para o misticismo atribuído à quinta da Regaleira.
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| Quinta da Regaleira em Sintra |
“A quinta integra um magnífico jardim, constituído por árvores exóticas e vegetação abundante, que compõe um curioso percurso de características marcadamente cenográficas. Para este percurso, bem como para o imenso acervo iconográfico que compõe a profusa decoração de todo o palacete, anexos e jardins, pode apontar-se uma linha orientativa de cariz esotérico, conjugada com a simbólica nacionalista dos estilos arquitectónicos neo aqui utilizados. Assim se poderia entender o percurso dos jardins como viagem de teor iniciático, incluindo uma alameda ornada com estátuas de deuses clássicos, uma misteriosa gruta artificial abrigando um lago onde deveriam nadar brancos cisnes sob o olhar de uma mítica Leda, um terraço chamado das Quimeras, e ainda um bosque sombrio, cuja travessia apela a um silêncio introspectivo, proporcionando finalmente a visão da torre do palácio, com larga vista da serra. Particularmente impressionante, neste contexto, é o grande poço, conduzindo progressivamente o visitante até ao fundo, decorado com uma cruz templária e uma rosa-dos-ventos, através de uma descida espiralada; e ainda um túnel estreito, longo e escuro, que liga as profundezas da terra à visão de um terraço alteado e luminoso. A simbólica templária repete-se um pouco por toda a parte, na capela neo-manuelina e nas salas palacianas, que abrigam mobiliário feito por encomenda, tal como um imponente trono entalhado, sempre exibindo simbólica heráldica ou mitológica. A evocação da História de Portugal repete-se nos frisos com os reis portugueses, enquanto uma menção directa ao imaginário maçónico se poderá deduzir do tecto pintado da Sala das Virtudes, onde se encontram as personificações da Força, da Beleza e da Sabedoria. De facto, tem sido aventada a possibilidade de uma eventual filiação maçónica por parte de Carvalho Monteiro, de acordo com o espírito da época e com a inclinação intelectual de uma certa elite nacional. Aqui encontra localização privilegiada o espólio da colecção de artefactos maçónicos de Pisani Burnay, presentemente exposto no palácio da Regaleira.”
Se a Quinta da Regaleira despertou a sua curiosidade, aconselho a leitura de: