quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

JOAQUIM MANUEL DE CAMPOS AMARAL (3ª PARTE) - A FAMÍLIA NO RIO DE JANEIRO

Em 1890, dezassete anos após ter saído de Portugal e com apenas vinte e oito anos, Joaquim Manuel era já sócio de uma importante firma comercial, a Amaral, Guimarães & Cia, estabelecida na Rua de S. José, no centro do Rio de Janeiro. Era também nessa rua que Joaquim Manuel residia, mais precisamente no número 70. Quase em frente, no número 77, vivia uma viúva, Maria da Encarnação dos Santos Leal, com suas três filhas, Maria José, Amélia e Luciana. É pela mais nova das três, que Joaquim Manuel se apaixona e vem a casar em 1892.

LUCIANA FERREIRA SOUTO, nasceu no Rio de Janeiro no dia 27 de dezembro de 1867, filha de José da Costa Ferreira Souto e de sua mulher, Maria da Encarnação dos Santos Leal. Foi batizada na Igreja Matriz de Nossa Senhora da Candelária do Rio de Janeiro a 27 de Junho de 1868, tendo como padrinhos Eugénio de Saint Denis e D. Luciana de Santos Sousa.

Registo de batismo de Luciana na Igreja da Candelária no Rio de Janeiro[1] - Aos vinte e sete dias do mês de Junho de mil oitocentos e sessenta e oito anos, nesta Igreja Matriz de Nossa Senhora da Candelária, batizei solenemente a inocente Luciana, nascida a vinte e sete de Dezembro do ano próximo passado, filha legítima de José da Costa Ferreira Souto natural de Portugal e de Dona Maria da Encarnação leal, natural desta cidade, neta paterna de António Ferreira Souto e Dona Quitéria da Costa Souto, naturais de Portugal e materna de Francisco dos Santos Leal; foram padrinhos Eugénio de Saint Denis e Dona Luciana dos Santos, de que fiz este assento que assino.
O coadjutor Januário de Oliveira Rosa

Vista do Centro do Rio de Janeiro a partir da Ilha das Cobras, com a igreja Matriz da Candelária (ao Centro) o Mosteiro de S. Bento (à direita) – década de 60 do século XIX (a cúpula da Candelária só seria concluída em 1877) – R.J.Jacotte

A mãe de Luciana, Maria da Encarnação dos Santos Leal era brasileira, filha de Francisco José dos Santos Leal (português, natural de Alvações do Tanha, freguesia de Vilarinho dos Freires, Peso da Régua) e de Maria José da Encarnação Pinto de Castro Vilaça. Nasceu no dia 2 de junho de1841, dezasseis dias antes da coroação de D. Pedro II como Imperador do Brasil. Era a quinta geração a nascer no Rio de Janeiro, depois de sua mãe Maria José da Encarnação, em 1823, de sua avó Catarina de Sena Pinto de Castro Vilaça, em 1804, de sua bisavó Ana Joaquina Pinto de Castro, em 1781, e de sua trisavó, Rosa Bernarda de Jesus Ormonde Pimentel de Mesquita, em 1748. 
Casou no Rio de Janeiro, aos 22 anos, na Igreja Matriz do Engenho Velho, a 10 de janeiro de 1863, com José da Costa Ferreira Souto, um imigrante português de 31 anos, natural de Mouquim, Vila Nova de Famalicão, onde nasceu a 1 de junho de 1832, filho de António Ferreira e de D. Quitéria Maria da Costa. Em 1854, com 22 anos, emigrou para o Brasil e aí adotou o apelido Souto, em 1858, como se depreende da nota publicada a 31 de janeiro de 1858 no Correio Mercantil do Rio de Janeiro.


José da Costa Ferreira Souto faleceu inesperadamente no Rio de Janeiro, no dia 26 de janeiro de1869. Tinha 36 anos e deixou viúva e três filhas, Maria José de cinco anos, Amélia de três e Luciana com apenas um ano. A herança de José deixou Maria da Encarnação numa situação económica muito confortável, o que lhe possibilitou criar as três filhas num ambiente privilegiado na casa de família, no centro do Rio de Janeiro, mais precisamente na rua de S. José nº 77, próximo do estabelecimento comercial na rua da Quitanda.


Luciana cresceu numa cidade e numa sociedade que se modificava rapidamente. A cidade foi palco de alguns dos mais importantes acontecimentos da história do Brasil. Antes de completar os 10 anos, assistirá ao fim da escravatura, aos últimos dias do Império, à proclamação da República do Brasil e a todas as convulsões políticas e sociais que se seguiram. Assistirá também às modificações resultantes do crescimento da sua cidade e do advento das novas tecnologias que revolucionarão hábitos e costumes nesse final do século XIX como sejam a luz elétrica, o telefone, os “bondes” elétricos, o cinema…

As primeiras fotos, c.1869 no estúdio Cypriano & Silveira na rua do Ourives 34, Rio de Janeiro - Maria José, Amélia e Luciana
 
Em cima à direita, Luciana c.1873 e à esquerda, c.1876 - estúdio Carneiro Silva & Tavares na Rua Gonçalves Dias, 54; Rio de Janeiro; 
Em cima à direita, Luciana c. 1877 e à esquerda c.1879, com as irmãs, Maria José e Amélia

Joaquim Manuel e Luciana casaram no Rio de Janeiro, no dia 26 de novembro de 1892. A cerimónia religiosa, prevista para a igreja de S. José, acabou por se realizar na casa de Joaquim Manuel, na Rua de S. José nº 70, por a mãe da noiva, se encontrar doente.

Fotografias de Joaquim Manuel e de Luciana à data do seu casamento; Estúdio Guimarães & Cia, do ilustre fotógrafo português, radicado no Rio de Janeiro, José Ferreira Guimarães.


Em cima, assento de casamento de Joaquim Manuel com Luciana, retirado do livro de registos da igreja de S. José no Rio de Janeiro[2]
- A  vinte e seis de Novembro de mil oitocentos e noventa e dois, ás cinco da tarde, com provisão do Monsenhor Vigário geral, na casa de residência do contraente, sita á rua de S. José número 70, sobrado, em minha presença e na das testemunhas Joaquim Fernandes dos Santos Júnior e Augusto dos Santos Madahil, por palavras de presente justa tridentino, se receberam em matrimónio Joaquim Manuel de Campos Amaral e Luciana ferreira Souto, ele filho legítimo de Manuel José Tavares de Campos e de Joaquina Rosa Ribeiro do Amaral, nascido e batizado na freguesia de S. Paio de Gramaços, Bispado de Coimbra, em Portugal e ela, filha legítima de José da Costa Ferreira Souto e Maria da Encarnação Leal, nascida e batizada na freguesia de Nossa Senhora da Candelária desta capital; ambos moradores nesta freguesia de S. José.”
O Vigário António José de Sousa

Nota - O casamento foi celebrado em casa, por a mãe da contraente se encontrar doente 

Assinatura de Luciana Ferreira Souto, tal como consta no seu assento de casamento.


Assinatura de Joaquim Manuel de Campos Amaral, tal como consta no seu assento de casamento.

Em cima, registo civil do casamento de Joaquim Manuel com Luciana[3] - Em vinte e seis de novembro de mil oitocentos e noventa e dois, no Rio de Janeiro, na rua de S. José número setenta, casa de residência do contraente onde foi vindo o Doutor Carlos Marques de Sá, juíz da quarta pretória, comigo...no cargo abaixo nomeado e assinado, às duas horas da tarde, presentes as testemunhas Joaquim Fernandes dos Santos Júnior, Joaquim José Viena, Francisco Outono Pires… e António José de Matos Guimarães, receberam-se em matrimónio Joaquim Manuel de Campos Amaral, filho de Manuel José de Campos e de D. Joaquina Rosa do Amaral, com trinta anos de idade, solteiro, português, comerciante, morador na Rua de S. José número setenta, com Luciana Ferreira Souto, filha legítima de José da Costa Ferreira Souto e de D. Maria da Encarnação Leal Souto, com vinte e cinco anos de idade, solteira, natural desta capital, residente na Rua de S. José número setenta e sete...”

Após o casamento Joaquim Manuel e Luciana ficaram a residir no Rio de Janeiro, na Rua de S. José, nº70. Foi nesta casa que nasceram os três filhos mais velhos. No início do século a casa da avó Maria da Encarnação no número 77 sofreu um violento incêndio tendo sido destruída. Foi nessa altura que foi construída a grande casa da família Campos Amaral. A imagem dessa casa, gravada na memória da avó Nanda, e tantas vezes por ela descrita, era a de um prédio com escritório e loja da firma comercial do pai no piso térreo e casa de habitação nos dois andares superiores. Recordava com saudade as brincadeiras de infância no varandim central do 1º andar, sob a luz da claraboia, de onde avistava o seu pai e os outros funcionários a trabalhar no piso térreo. Ainda hoje subsistem inúmeros imóveis deste tipo no Centro do Rio de Janeiro que escaparam à voragem demolidora dos últimos 100 anos. 
No livro Impressões do Brasil no Século Vinte[4], publicado em 1913, na página 613 é publicada uma fotografia do edifício onde se localizava o escritório de exposição de ladrilhos, azulejos, metais e louças, da Firma Amaral, Guimarães & Cia, sendo referida como morada a Rua de S. José números 77 e 79. 
O prédio correspondente ao número 77, com a loja em baixo e os dois pisos superiores, coincide na localização e tipo de edifício, com a descrição da avó Nanda. A residência da família Campos Amaral na cidade do Rio de Janeiro ocupava os dois andares superiores deste prédio. 


Rua de S. José números 77 e 79 no Rio de Janeiro – Residência da família Campos Amaral e escritório e
 loja da Amaral, Guimarães e Cia.
Mapa Architectural da cidade do Rio de Janeiro, de J.Rocha Fragoso (1874) - centro do Rio de Janeiro, 
com as ruas de S. José, da Quitanda, da Assembleia, Praça D. Pedro II (atual Praça XV de Novembro), 
as igrejas do Carmo e de S. José e o Paço Imperial

Joaquim Manuel e Luciana tiveram sete filhos, todos eles nascidos no Rio de janeiro, na rua de S. José, na casa de família e batizados na igreja de S. José.
·       Joaquim Manuel nasceu a 9 de janeiro de 1894.
·       Maria Antónia nasceu a 5 de junho de 1896.
·       José Luso nasceu a 16 de julho de 1899.
·       Fernanda Amélia, a avó Nanda, nasceu a 8 de outubro de 1901.
·       Susana Maria nasceu a 21 de julho de 1903.
·       Manuel José nasceu a 28 de agosto de 1905.
·       Amélia Clementina nasceu a 18 de dezembro de 1907. 

Foto de Marc Ferrez c.1895 Praça Pedro II (atual Praça XV de Novembro) com o Paço à esquerda, o Convento do Carmo, a torre da Catedral, a Igreja do Carmo e a Igreja terceira do Carmo
Foto de Marc Ferrez c.1870 Vista da Praça D. Pedro II a partir do morro do Castelo. Identifica-se a R. de S. José, entre a Câmara dos Deputados à esquerda (antiga prisão) e a Igreja de S. José, em primeiro plano à direita.

Foto de Marc Ferrez c.1890 - Vista do Centro a partir do Morro do Castelo (vê-se ao centro a cúpula da Igreja da Candelária)

A primeira viagem de Joaquim Manuel e Luciana à Europa, teve lugar em 1898. Com eles viajaram também os seus dois filhos já nascidos, Joaquim Manuel e Maria Antónia. 
Dessa viagem ficaram as fotografias tomadas no estúdio Foto Brasil em Lisboa, os binóculos de teatro de D. Luciana Amaral e a terceira gravidez de Luciana. Conta-se que José Luso, nascido a 16 de julho de 1899, terá recebido esse nome de batismo por ter sido concebido em terras Lusas.


Fotos datadas de 1898 em Lisboa – Estúdio Foto Brasil. 
Em cima Joaquim Manuel, Luciana e os dois filhos, Maria Antónia e Joaquim Manuel Jr. 
Em baixo a bisavó Luciana.

Binóculos de teatro da bisavó Luciana.

Durante a permanência em Portugal, passearam pelo país. Conta-se que a bisavó Luciana terá ficado particularmente mal impressionada com a cidade do Porto, nomeadamente com a miséria, a sujidade, o cinzentismo das ruas, a austeridade das roupas das senhoras, as juntas de bois no centro da cidade e o pior de tudo, o costume do lá vai água. 
Regressaram ao Brasil em Novembro de 1898. Embarcaram em Lisboa no paquete a vapor, Malange, da Companhia Mala Real Portugueza, proveniente da cidade de Anvers (Antuérpia) na Bélgica, tal como consta na lista de passageiros desembarcados no Rio de Janeiro no dia 20 de novembro de 1898.


Vapor Malange da Mala Real Portugueza – Construído em 1890, foi um dos quatro navios encomendados entre 1889 e 1898 à Scott & Co., de Greenock, Escócia. Tinha um comprimento de 110,79 metros e capacidade para 220 passageiros distribuídos por três classes. Em 1916 foi adquirido pela marinha de guerra e passou a ser designado por Pedro Nunes. Foi vendido para a sucata em 1924
Da lista de passageiros (1ª classe) do navio a Vapor Malange, proveniente de Anvers, com escala em Lisboa 
e que desembarcaram no Rio de Janeiro no dia 20.11.1898, constam os nomes de 
Joaquim Manuel Campos com senhora D. Luciana, filho Joaquim, de 4 anos e filha Maria de 2 anos. 

Dois anos depois, em 1900, Joaquim Manuel e Luciana regressam à Europa, mas com um objetivo diferente. Era o ano da Exposição Universal de Paris e o bisavô Joaquim por motivos profissionais não podia perder o evento. A memória dessa visita perdurou no imaginário familiar por muitos anos, com histórias contadas e recontadas acerca das maravilhas aí vistas, da iluminação elétrica feérica, do fonógrafo, do cinema, do metropolitano, e da multiplicidade de pavilhões profusamente decorados e repletos com os mais recentes avanços da ciência, da indústria e das artes de todos os países do mundo dito civilizado.
Em 1900 a viagem Lisboa – Paris era feita no Sud-Express da Cia Internationale des Wagons-Lits. Era um comboio luxuoso, que operava diariamente e, à data, era considerado o comboio mais rápido da Europa, atingindo uma velocidade de 91,2 Km/h. Esta linha estava em funcionamento desde 1887. A viagem tinha início na Estação do Rossio em Lisboa e demorava dois dias até Paris. Foi neste mítico comboio que o avô Joaquim e a avó Luciana embarcaram em Lisboa, na estação do Rossio


Em cima à esquerda, a publicidade ao Sud-Express exortava as qualidades do comboio que era descrito como estando ao nível dos grandes expressos da Europa, com instalações luxuosas, periodicidade diária e facilidade de conexão para os passageiros com destino ou provenientes da América do Sul. À esquerda a estação do Rossio em Lisboa.

Gare d´Orsay em Paris, inaugurada em 1900, para a Exposição Universal comboio fazia a ligação Lisboa – Madrid – Paris em dia e meio. Após um dia de viagem através da Península Ibérica, chegava-se a Hendaye. Aí era feito o transbordo para o comboio francês, que percorria a última etapa até Paris, onde chegava ao final do 2º dia de viagem. A estação terminal era a luxuosa e novíssima Gare d´Orsay, inaugurada nesse mesmo ano para a Exposição Universal. 

Ainda nesse ano de 1900, Paris acolhia um outro importante evento, os II Jogos Olímpicos da era moderna (à época com muito menos impacto mediático do que nos dias de hoje)


Para além dos pavilhões temáticos e dos pavilhões das nações participantes, as principais atrações da exposição foram os novos meios de transporte (uma esteira rolante, denominada rua do futuro; a primeira linha de metro de Paris e as novas estações de comboio (D´Orsay, Invalides e Lyon). Também a fonte luminosa, montra da nova utilização da eletricidade para iluminação de ambientes exteriores e a projeção, em grandes écrans, dos filmes dos irmãos Lumiére, foram atrações populares da Exposição. O prodígio das máquinas, o admirável mundo novo que nascia com o século XX.

Planta da Exposição Universal de Paris de 1900


O RIO DE JANEIRO NA TRANSIÇÃO DO SÉCULO
Na transição do século XIX para o século XX, o Centro do Rio de Janeiro, onde se situa a rua de S. José, mantinha ainda muito do seu aspeto colonial. As ruas eram estreitas e mal iluminadas, pejadas duma profusão de vendedores ambulantes de todo o tipo e de mendigos. Muitos dos prédios, antigos e degradados, tinham sido transformados em habitações coletivas (cortiços), sobrelotadas, sem quais quer condições de saneamento. As deficientes condições sanitárias na cidade, a explosão demográfica, decorrente do fluxo constante de novos imigrantes, e os hábitos precários de higiene de grande parte da população, eram responsáveis pelos sucessivos surtos epidémicos (febre amarela, peste bubónica, varíola, entre outros), que assolavam recorrentemente a população carioca.
A vontade de modernização da cidade e o ímpeto reformista do Presidente Rodrigues Alves e do seu Prefeito Pereira Passos, dominaram os primeiros anos do século XX no Rio de Janeiro. A reforma do porto e a construção da avenida Central (atual Av. Rio Branco), uma extensa e larga via que rasgou o coração da cidade colonial, ligando o largo da Prainha (atual Praça Mauá) à praia de Stª Luzia foram os dois motores da revolução levada a cabo pelo Prefeito Pereira Passos.

Demolições no centro do Rio de Janeiro para dar lugar à construção da avenida Central (atual Rio Branco)

A avenida Central com o cruzamento com a rua de S. José, no final da primeira década do século XX. O primeiro prédio à esquerda no cruzamento da avenida com a rua da Assembleia é dos poucos construídos à época que resistiu até aos dias de hoje. 
Aspeto da quadra entre a rua da Assembleia e a de S. José na segunda década do século XX e em 2017, cem anos depois.

Foram demolidos cerca de 2700 prédios, pelo que os primeiros anos do novo século, foram conhecidos popularmente como a época do bota abaixoA nova avenida Central, foi inaugurada a 15 de novembro de 1905.

Os negócios imobiliários gerados por esta revolução urbana beneficiaram a família Campos Amaral, não só pela rápida valorização do seu vasto património imobiliário, em particular nas ruas de S. José, da Quitanda e do Chile, mas também pelo impacto que o incremento da atividade construtora teve nos negócios do avô Joaquim. 

Data desta época a construção do prédio na Rua de S. José nº 77 e 79, para onde a família se mudaria. A residência da família Campos Amaral ocupava os dois andares superiores do edifício e o escritório e loja de exposição da Firma “Amaral, Guimarães & Cia”, o piso térreo.

A avó Nanda e seus irmãos cresceram pois no centro dessa cidade nova, cosmopolita e moderna, num ambiente de prosperidade e euforia social, que marcaria para sempre a sua forma de ser e de estar. 

A reforma urbana de Pereira Passos mudaria muitos dos hábitos dos cariocas. As ruas do centro da cidade passaram a ser um local de referência da sociedade carioca, com as suas lojas de luxo de artigos importados, os cafés, confeitarias, livrarias e teatros. Foi a Belle Époque carioca.


A avenida Central na primeira década do século XX

A avenida Central à data da sua inauguração em 1905.



[1] PRQ-RIO DE JANEIRO / Nossa Senhora da Candelária; Lv bp 27.06.1868/f153v

[2] RPRQ – Rio de Janeiro; Igreja de S. José, Lv Casamentos 1892/ f26v

[3] Livro de registos de casamento da freguesia de S. José, Rio de janeiro – lv 10

[4] “Impressões do Brazil no Século Vinte” de Reginald Lloyd (Edição de 1913 da Lloyd's Greater Britain Publishing Company, Ltd.) – pág. 613




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