JOAQUIM MANUEL DE CAMPOS AMARAL
Nasceu em S. Paio de Gramaços,
Concelho de Oliveira do Hospital, Distrito de Coimbra no dia 16 de março de 1862
Faleceu no Rio de Janeiro, Brasil, no dia 30 de junho de 1918

Joaquim Manuel de Campos Amaral, nasceu em São Paio de Gramaços, (uma povoação do Concelho de Oliveira do Hospital, Distrito de Coimbra), às 2 horas da tarde de 16 de Março de 1862, filho de Manuel Tavares de Campos e de Joaquina Rosa Ribeiro do Amaral, tal como consta do seu assento de batismo.
São Paio de Gramaços (também conhecida como São Paio do Codeço), é uma povoação da Beira Alta com raízes na pré-história como o demonstram os achados arqueológicos que remontam ao período neolítico. Foi sucessivamente ocupada pelos romanos, visigodos e árabes. A cristianização dá-se com a conquista das terras de Seia por Fernando Magno em 1056.
No reinado de D. Afonso Henriques, um dos principais povoados da região era Garamaços ou Gramaços, com paróquia dedicada ao Mártir S. Pelágio (ou S. Paio) com foro sancionado e reforçado em 1136 pelo primeiro rei de Portugal. Aí vivia Dom Chavão, rico-homem das terras de Seia e representante do rei neste território. De acordo com o historiador e investigador Prof. Dr. António de Vasconcelos, Dom Chavão detinha os direitos de padriado eclesiástico na paróquia de Sampaio de Garamaços.
No século XII a doação de terras entre os povoados de Ulveira (1) e da Bobadela, por D. Teresa, mãe de D. Afonso Henriques, à Ordem Hospitalária de S. João de Jerusalém, vai alterar a história de toda esta região.
Foi o embrião de uma das mais importantes comendas, que a Ordem dos hospitalários possuiu em Portugal. Senhora desta herdade em Ulveira, a Ordem do Hospital principiou logo a alargar os seus domínios nesta região, por compras, doações e outras formas de aquisição de terras, casais, jurisdições etc., e isto tão rapidamente, que em breve toda a pobla de Ulveira e o território circundante era pertença dos hospitalários, com exceção apenas dum ou doutro casal, pouquíssimos, que continuaram sendo realengo (2).
Nas inquirições de D. Dinis, de 1288 é já mencionada a Parrochia Sancta Crucis de Ulvaria do Spital. A designação Ulveira do Hospital, foi adotada para a distinguir de outras povoações próximas com igual denominação, como S. Miguel de Ulveira (hoje Vila Nova de Oliveirinha) e Ulveira do Conde (hoje Oliveira do Conde). Gramaços assim como as povoações vizinhas de Gavinhos de baixo e de cima, perdem progressivamente a sua importância em detrimento de Ulveira do Hospital.
Em meados do século XVI (1543) em Sampaio de Gramaços, foi constituída na igreja Paroquial a "Santa Irmandade do Mártir S. Pelágio", na qual D. João III se filiou e se declarou "Protector e Juiz Perpétuo", com estatutos próprios e grandes privilégios concedidos pelo Papa Júlio III (1550-1553). O retábulo principal da igreja representa o martírio de S. Pelágio e é do século XIX; S. Pelágio está ainda representado numa escultura em pedra da segunda metade do século XV. No interior da Igreja existem ainda imagens da Virgem com o Menino (Nª. Sr.ª. da Graça) dos séculos XVI-XVII, de N.ª Senhora do Rosário, em pedra, do século XVI, de Santo António, em madeira, dos séculos XVII-XVIII. A atual igreja de S. Paio de Gramaços é uma edificação do século XVIII
A Igreja de S. Paio de Gramaços, onde Joaquim Manuel de Campos Amaral foi batizado em 1862 |
O século XIX foi um período conturbado para esta região. As invasões francesas deixaram um rasto de devastação e morte por todo o país. Nesta região, a retirada em fuga das tropas do general Massena em 1811 foi particularmente sangrenta. Num relato datado de 25 de abril de 1811, o padre José Joaquim Garcia Abranches, cura de S. Paio do Codeço, conta que, os soldados franceses aí permaneceram três dias e quatro noites durante os quais cometeram as maiores atrocidades. No rescaldo da barbárie foram contabilizados sete mortos e onze feridos entre a população civil, sete casas incendiadas, das quais nada restou além das paredes, roubos de toda a ordem na igreja e fora dela.
Gravura de época ilustrando as atrocidades cometidas pelos franceses |
As invasões deixaram marcas profundas, mas não menos graves foram as consequências da guerra civil que se seguiu.
Em 1834, com a assinatura da convenção de Évora Monte, cessavam as hostilidades entre absolutistas e liberais, contudo, os conflitos armados prolongar-se-iam por muito mais tempo em algumas regiões do país, associados a fenómenos regionais de banditismo, como foi o caso do João Brandão, o terror das beiras, ou o Zé do Telhado no Minho ou o Remexido no Algarve.
Se a primeira metade do século XIX foi pautada pela violência da guerra e do banditismo, a segunda metade será dominada pela instabilidade social e política com repercussões graves na vida das populações.
D. Luís tinha sido aclamado Rei de Portugal em Dezembro de 1861, por morte de seu irmão D. Pedro V, sem descendência. Viviam-se os últimos anos do período que ficou conhecido para a história como Regeneração, no qual o país tentou compensar o atraso causado por meio século de lutas intestinas. O incremento das obras públicas no ministério de Fontes Pereira de Melo foi o principal motor de desenvolvimento do país nesse período. As reformas iniciadas nos ministérios em Lisboa pouco impacto tiveram na vida das populações do interior do país. Ao longo de todo o século XIX e em particular na segunda metade, intensificaram-se os fluxos migratórios, para as regiões do litoral, que iniciavam o processo de industrialização, mas sobretudo para o Brasil.
Joaquim Manuel era o primeiro filho varão do casal Manuel Tavares de Campos e de Joaquina Rosa Ribeiro do Amaral. À data do seu nascimento em 1862, seu pai contava já com 54 anos. Tinha uma irmã mais velha, Maria Amália, nascida em 1860, e depois dele nasceram ainda, António, em 1864, Manuel, em 1867, João, em 1869, Maria
Flaviana, em 1874, Serafim, em 1876), José Joaquim, em 1878) e Lucinda de Jesus, em 1881.
Joaquim Manuel foi batizado na Igreja de S. Paio de Gramaços no dia 30 de Abril de 1862, tendo por padrinhos os tios maternos, Joaquim Ribeiro do Amaral e Amélia Ribeiro do Amaral, tal como consta no respetivo assento.
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